Quando digo Diabolo Siteswap, parto do siteswap como língua comum dos malabares: uma notação transposicional que define o tempo de retorno até ao lançamento seguinte. Uma sequência descreve uma estrutura temporal, e a partir daí podem construir-se leituras físicas diferentes.
O que me interessa neste lab é alargar esse quadro, porque o diabolo, tal como o jogo, não se esgota nos lançamentos cruzados. Nalgumas notações (como a do Diabology), os valores 2, 4, 6, 8 são lidos diretamente como lançamentos cruzados. A mim isso desloca-me demasiado o problema: simplifica a linguagem à custa de perder lançamentos paralelos e padrões em que um diabolo pode sair e voltar à mesma mão.
A proposta que faço contempla as duas mãos de maneira explícita e traz o tempo na corda para dentro da escrita. O fio entra como superfície controlada (retenção, impulso, retorno), e isso permite descrever padrões de duplo canal, paralelos e combinações em que os papéis de cada mão e os retornos não ficam subentendidos.




Na prática, mantenho o siteswap como estrutura temporal e acrescento-lhe uma camada para indicar os papéis de cada mão e os retornos pela corda. Uso o F para marcar esses retornos (na linha do forced bounce) e assim poder distinguir os tipos de retenção (dwell) na corda.
Com esta base consigo escrever padrões com mais fidelidade, comparar variantes e construir progressões para chegar a material mais complexo.
No diabolo já existem aplicações de siteswap assentes no modelo de “one-handed juggling”: um lançamento por pulsação, ritmo regular, e os números como tempo de voo ou altura. É uma base útil para descrever carrosséis aéreos e muitas combinações.
Em movimento
Siteswap aplicado ao diabolo
Objetivos
Pôr o diabolo no papel
Poder anotar o que fazemos
Meti-me nisto porque a maior parte do que faço não há maneira de o anotar. Queria chegar ao ponto em que o que sai num ensaio fique preto no branco nesse mesmo dia, sem ter de inventar meia notação de cada vez.
Que outro o leia e lhe apanhe o jeito
Um padrão que só anda de boca em boca perde-se com quem o sabe fazer. Cada símbolo tem de poder ser agarrado por alguém que não estava na sala, e se essa pessoa o girar, o símbolo aguenta.
Ter tudo reunido num sítio
A investigação está em diabolositeswap.com para se poder seguir de cima a baixo e ir acrescentando o que vai aparecendo. Quem quiser dizer de sua justiça a partir de fora tem de encontrar a porta aberta.
Montar progressões para o material difícil
Com os padrões escritos vê-se logo qual leva a qual, e daí saem as progressões que uso nos workshops para chegar onde à partida não se chega.
Que todos escrevamos igual
Nada disto é definitivo. Uma notação serve enquanto toda a gente escrever o mesmo, e no dia em que um símbolo não aguentar um padrão novo, muda-se e atualiza-se a documentação. Se cada um puxar para o seu lado, daqui a nada não nos entendemos.

Investigação completa e documentação
Queres aprofundar?
Em diabolositeswap.com tenho a investigação completa desta adaptação: a notação (assíncrona e síncrona), como definir a corda (_F) e exemplos para 1, 2, 3 e 4 diabolos.
Vais encontrar também uma parte específica de 1 diabolo em que a nomenclatura contempla as varetas: o que faz cada mão e como entra a corda na escrita quando o padrão passa por ela.
Além disso, há tabelas de transições, uma secção de passing e um guia para configurar o Juggling Lab de modo a representar padrões de diabolo.
Decidi pô-lo num site à parte para que a documentação fique arrumada, seja fácil de seguir e se possa atualizar com material novo.
Se preferires trabalhá-lo em pessoa, dou workshops presenciais.




