Durante o ano letivo de 2020-2021 fizemos parte do programa Creadors EN RESiDÈNCiA, uma iniciativa do Institut de Cultura de Barcelona (ICUB) e do Consorci d’Educació de Barcelona (CEB) para levar o trabalho contemporâneo às escolas públicas de ensino secundário. Trabalhámos com os alunos do 3.º e 4.º ano de ESO do Institut Comas i Solà, em Trinitat Vella, com os professores Joaquim Cubarsí Romans e Ruth Pleguezuelos ao nosso lado, e com Marissa Paituví, da La Central del Circ, como mediadora.

O NÚCLEO DO PROJETO
Malabarismo para ligar e transformar
O En Residència partiu de uma ideia clara, que o malabarismo servisse para nos ligarmos ao que está à volta e para trabalhar em grupo, e a partir daí fomos juntando os malabares ao vídeo e ao design web.
As decisões que deram forma ao projeto tomámo-las em conjunto, e usámos os espaços do bairro como local de trabalho, de maneira que Trinitat Vella passou a ser o ponto de encontro deles e o sítio onde se exprimiam, onde partilhavam o que iam fazendo e experimentavam coisas juntos.
Reflexões sobre a publicação de conteúdos
A vertente digital
Um dos objetivos principais era mudar a atitude que tinham perante estas ferramentas, porque usam o Instagram, o YouTube e a Twitch todos os dias e quase nenhum as tinha usado alguma vez de maneira ativa. Dirigimos os esforços para a web, que é uma ferramenta que no futuro lhes pode ser útil.
Montámos um site colaborativo em WordPress onde fomos reunindo os vídeos, as fotografias e as reflexões do projeto, e ali viram por dentro como se arruma um espaço digital e como se trabalha nele, que é uma maneira de fazer que lhes vai servir em qualquer trabalho.
Com isto passaram de consumir a perceber como funcionam estas ferramentas, e ganharam autonomia para organizar e apresentar as suas ideias, e para nós essa mudança vale mais do que qualquer outra coisa que saiu do projeto.


Autossuficiência
Construímos o nosso próprio material
Durante o projeto os entusiastas seguiram um tutorial do Dídac para desenhar e fabricar as suas próprias varetas de diabolo, e tê-las feito eles próprios aproximou-os do malabarismo de outra maneira, porque o material passou a ser mesmo deles.
A partir daí trataram o equipamento com mais cuidado, e o malabarismo passou a ser uma coisa que levava trabalho deles lá dentro.
Colaborações no Galinheiro
O diabolo como jogo colaborativo
Durante o projeto chamou-nos a atenção o gosto que tinham pelas batalhas de rap, competições de improviso que pegam muito entre os jovens e que estimulam a argúcia e a invenção, ainda que muitas vezes venham com uma carga forte de confronto, desprezo e rivalidade.
Dessa dinâmica aproveitámos o que nos servia e virámo-la para a colaboração com o Mosaic, um jogo com diabolo que se joga em grupo e que pede espontaneidade e confiança, e que mantém o lado de jogo e de desafio que a eles os atraía nas batalhas.
Viram que o que o colega propõe não é para ser superado, e que se o agarras e lhe pões o teu grãozinho fica alguma coisa que é de todos. A vontade de competir já não estava lá, o Mosaic tinha chegado para os ajudar a cooperar, somando em vez de deixar alguém para trás.


Colaborações no Papel
O bairro através do diabolo
O pessoal da YANA, uma revista dedicada aos malabares, interessou-se pelo trabalho da Teresa e reuniram-se para ver colaborações possíveis. Na conversa falou-lhes do projeto que fazíamos no En Residència e de como se podia usar o diabolo como lente de uma máquina fotográfica descartável, o Magnifying Diabolo, e daí saiu a ideia de o pôr em prática com os entusiastas.
Com este sistema fotográfico os entusiastas saíram a fotografar Trinitat Vella, e olhar através da máquina e do diabolo convidava-os a reparar em pormenores, recantos e sítios que sempre tinham visto e em que nunca se tinham fixado. Depois de reveladas, enviámos as fotografias à YANA e as editoras escolheram algumas para as publicar com um tutorial ao lado para montar o kit e tirar as fotografias através do diabolo, para o caso de outros malabaristas de qualquer parte do mundo quererem fazer o mesmo exercício.
Colaborações na Rua
Do processo à ação
Quando pegamos num projeto destes tentamos evitar que as apresentações finais sejam obrigatórias, já que levar alguém a cena num momento de fragilidade nem sempre é positivo, e para nós o processo e o blogue já faziam parte do resultado. Documentar o processo, gravar os vídeos, editá-los e publicá-los no WordPress já é uma forma de dar corpo ao projeto, e cumpria de sobra os objetivos que tínhamos traçado.
Apesar de não acharmos que fosse preciso levá-lo a nenhum palco, um dia aproximaram-se de nós a pedir para atuar no bairro, e depois de lhe darmos umas quantas voltas propusemos-lhes sair com o jogo do Mosaic por vários espaços de Barcelona. A Marissa, que era a mediadora do projeto, tratou das autorizações e arranjou bicicletas para toda a gente, e no último dia do projeto organizámos três atuações itinerantes em pontos diferentes da cidade.
A iniciativa tinha nascido deles, e desde o dia em que no-la vieram pedir até ao último, de bicicleta de um ponto ao outro da cidade, levaram uma ideia deles até ao fim, e ali via-se tudo o que tinham mudado e o quanto se tinham comprometido, com vontade de colaborar e de fazer equipa.

Um projeto colaborativo tornado possível por muitas mãos
Este projeto não teria sido possível sem a participação e o empenho de:
- Entusiastas: os alunos do Institut Comas i Solà, pelo seu entusiasmo e dedicação.
- Equipa docente: Joaquim Cubarsí Romans e Ruth Pleguezuelos, pela sua orientação e apoio constante.
- Mediação: Marissa Paituví, da La Central del Circ, por ligar e dinamizar.
- Instituições: o programa En Residència, promovido pelo Institut de Cultura de Barcelona (ICUB) e pelo Consorci d’Educació de Barcelona (CEB), por dar espaço e voz ao projeto.
- Fotos: Teresa Santos
Obrigado a todas as pessoas e organizações que o tornaram possível.






