Sempre que posso, ouço música, e ao longo dos anos percebi que, para treinar, pode ser um fator diferenciador. Com o tempo, acabei por criar um conjunto de playlists e músicas para diferentes situações. Como podes imaginar, muitas são específicas para malabares; neste caso, falamos de uma playlist para treinar 3 diabolôs.
Ao fazer workshops e ao explicar padrões a outras pessoas, fui reparando numa tendência: quando ponho música com um tempo que encaixa com o exercício, o grupo tende a sustentar melhor o ritmo, o que facilita a aprendizagem.
Algumas vezes, no final, perguntei às pessoas o que costumam ouvir quando treinam. E muitas vezes encontrei um contraste: as pessoas que se sentiam mais desbordadas vinham de treinar com música muito acelerada. Não é uma regra, mas faz sentido: se a música te puxa para correr, o teu tempo acelera. Quando treinas padrões que ainda não tens sólidos, esse desordenamento aparece rapidamente: lanças demasiado cedo ou fora de tempo e tudo se desmorona.
Também senti isto de forma muito clara na primeira pessoa, a atuar. Algumas vezes atuei com música ao vivo e, quando os músicos aceleraram o ritmo, notei que tenho tendência a acelerar os meus tempos. Isso complica o que estou a fazer e exige que uma parte da minha atenção seja dedicada apenas a travar e a manter o ritmo de que preciso. Quando uma parte da atenção vai para aí, sobra menos para escutar o padrão e cuidar do detalhe.
Por isso, para mim, escolher música é uma variável de treino. Quando o tempo encaixa, tenho mais espaço mental para aprender padrões novos: repetir durante mais tempo, errar de forma mais limpa e perceber melhor o que está a falhar.
Esta playlist nasce daqui: música que funciona para mim quando estou a trabalhar 3 diabolôs e quero que o tempo ajude em vez de arrastar. Se a experimentares, o que vale a pena observar é simples: em que temas te manténs estável e em quais começas a empurrar.

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